Ego equilibrista, olha em riste na tentativa de não falhar
Pé ante pé, concentra e comunica a alma em linha reta
Quando tenta, num ato de fé,
O tendão gasto e cansado da intuição não sobrecarregar
O caminhante só alcança a superfície perfeita para ampará-lo
Quando percorreu e desfrutou o caminho,
Sem caminho o caminhante se desfaz,
A superfície perde a utilidade e a perfeição
O jogo, porque as relações sociais, por diferenciadas que
pareçam
Muito se assemelham a jogos, e digo no bom sentido,
Precisam ser incorporados por cada um dos participantes,
atores sociais
Não tanto como o pesar da regra,
Mas como um reconhecimento da necessidade de parâmetros, linguagens,
E simbolismos comuns
O jogo que eu jogo, pode ser elaborado em segundos
O funcionamento se dá ao longo de sua adesão
Não se vence e nem se pode ser melhor que ninguém
Mas se a vontade convergir num acaso de comunhão
A vontade e verdade desenham espaços no além.
É simples, também confuso
A mira, a concentração e a eficácia de um equilibrista,
Não me cobro mais que isso,
A persistência de andar em caminhos tortuosos, por vezes mal
iluminados
Se rebate na qualidade do esforço e na inspiração da re –
atividade
Não vou fazer um discurso repetitivo
A palavra me cansa no caminho, entressílabas
O equilibrista desceu da corda e a guardou com raiva e
carinho
Já não tinha mais vontade de estende-la sob o sol
Se sentiu como semente tardia, das árvores que vem depois
Daquelas que gostam de sombra e ver o cerne crescer
Entre tantos outros troncos encontrar seu lugar e função
Deixar o vento passar, sem estremecer nem cair.