terça-feira, 11 de outubro de 2016

Eu tenho sido tantos

Eu que vivo cumprimentando o caos e arrumando o caminho para que ele passe ileso.
Eu que vivo adiando compromissos sérios e reclamando daqueles que não comparecem,
Ah... eu tenho sido tantos...
Eu tenho mentido uma mentira fosca, que não sustenta nem o meu riso.
Eu vivo me esquecendo dos potes que me abastecem,
E me lembrando de pratos de pranto tão planos que não aguentam minhas lágrimas.

Eu que tenho sido displicente e displicentemente arranjo razão pros meus caminhos,
Eu que sempre fui inclinada a ações que não são minhas, me encontro tão torta.
Acostumada a dizer que a gente cria nossa fortuna,
Desaprendi a praticar os ensinos



terça-feira, 26 de abril de 2016

Quando não fui

É importante se jogar... Eu me jogo!
Também é um instinto de sobrevivência,
reconhecer um obstáculo momentaneamente intransponível,
E entre ir e se deixar ficar,
Ver que existe um lapso, uma luz, um vazio, um piscar

Eu pisco.
E tudo, no fundo, se decide assim, num piscar.
Das muitas coisas que não sei, não atrevo a dever pra mim mesma.
O sal no olho arde.

Quando miro a distância de aqui até lá,
Eu sei o quanto ela, pra mim, vale.
Preço nenhum é mais alto do que a dívida que implanto na minha cabeça,
Ninguém emprestaria a quantia em couro, carne viva.

Assim... eu lamento...
Sou só e tudo isso.