Era o corpo a criação
A dádiva em carne viva que de outro corpo se nutria
Era a caixa onde se punha toda dor, toda alegria
Como um presente que não se dá,
Como passado que já não existia
E o tempo entremeava as sensações
Paradoxando a existência na quente e fria materialidade
Tudo era passageiro, fazendo da fugacidade o remédio do medo
O corpo era sim o recinto do abençoado e do malogrado
Era veículo, era objeto
Laboratório vivo das experiências que não se sonha, nem se imagina
E via a energia a animar fantoche
Um movimento sutil, um pedido, um pensamento
Casca vazia caída no chão
A culpa de quem não tinha doía mais
Era o fracasso, era o sucesso
o começo e o desfecho