Era o corpo a criação
A dádiva em carne viva que de outro corpo se nutria
Era a caixa onde se punha toda dor, toda alegria
Como um presente que não se dá,
Como passado que já não existia
E o tempo entremeava as sensações
Paradoxando a existência na quente e fria materialidade
Tudo era passageiro, fazendo da fugacidade o remédio do medo
O corpo era sim o recinto do abençoado e do malogrado
Era veículo, era objeto
Laboratório vivo das experiências que não se sonha, nem se imagina
E via a energia a animar fantoche
Um movimento sutil, um pedido, um pensamento
Casca vazia caída no chão
A culpa de quem não tinha doía mais
Era o fracasso, era o sucesso
o começo e o desfecho
domingo, 8 de dezembro de 2013
domingo, 24 de novembro de 2013
das coisas
Das coisas da vida, as que mais gosto são aquelas que brotam do vazio
Um silêncio pleno que emerge da turbulência
Uma flor que abre espaço no meio das pedrinhas duras
Chego até a pensar se é por elas que existo
Nelas que me sinto parte
Ponte do fluxo da energia criativa
Ah essas coisinhas tão precisas e preciosas
Nos caminhos tortuosos vão criando sentido
Roubando da mente a certeza
Trazendo com o cansaço, o alívio
Coisas que só nascem da entrega
De integrar-se ao que simplesmente há
Ser parte e todo
Deixar que seja
Que escape, estravaze
Que fuja das rédeas
Que drible o controle
Um silêncio pleno que emerge da turbulência
Uma flor que abre espaço no meio das pedrinhas duras
Chego até a pensar se é por elas que existo
Nelas que me sinto parte
Ponte do fluxo da energia criativa
Ah essas coisinhas tão precisas e preciosas
Nos caminhos tortuosos vão criando sentido
Roubando da mente a certeza
Trazendo com o cansaço, o alívio
Coisas que só nascem da entrega
De integrar-se ao que simplesmente há
Ser parte e todo
Deixar que seja
Que escape, estravaze
Que fuja das rédeas
Que drible o controle
domingo, 11 de agosto de 2013
Os piratas e eu
É desde da pequenice que me ocorrem piratas
Que navegam meu imaginário com liberdade
Os ventos salgados que os carregam
São também os ventos que sacodem minhas velas
Enquanto a história queria me construir medo
Construía uma estória de vontade de mares
Eu queria ir com eles e de fato já ia
Foi com os piratas que aprendi:
Certo é um lugar de onde se avista a terra
Paixão é vontade de infinito
Invadir é uma estratégia válida
Brilho nos olhos mareados
Eu que não condeno quase me reconheço
Sem disfarçar o disparate
Fere o mar, fere o vento
A vida é ardida de sal
Piratas vem e vão
Eu vou com eles
Que navegam meu imaginário com liberdade
Os ventos salgados que os carregam
São também os ventos que sacodem minhas velas
Enquanto a história queria me construir medo
Construía uma estória de vontade de mares
Eu queria ir com eles e de fato já ia
Foi com os piratas que aprendi:
Certo é um lugar de onde se avista a terra
Paixão é vontade de infinito
Invadir é uma estratégia válida
Brilho nos olhos mareados
Eu que não condeno quase me reconheço
Sem disfarçar o disparate
Fere o mar, fere o vento
A vida é ardida de sal
Piratas vem e vão
Eu vou com eles
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Temporal de ontem
Vento furioso molhado
Eis que sem mais nem menos surge revolto
Ninguém vê acumular sua força
Não se suspeita que se indigna
Poucos entendem a violência do ar
Outros se fingem desentendidos
Arrebatador, etéreo, contundente
Tragada forte, engasgo d´água
domingo, 21 de julho de 2013
Apego
Minha materialidade surge exacerbada
Da mente para o estômago, onde serpenteia.
Depois de contorcer a boca da barriga,
Pulveriza-se em partículas e ondas de calor
Que sobem ao local de origem, no cerne da cabeça.
E aí vejo nítida a confusão de meu ser
Que ao ansiar a imaterialidade e a sutileza
É apanhado denso e condensado
Por sensações ancoradas em passados remotos.
Fica aí o paradoxo e a prisão do espírito
Que se quer etéreo e pacífico
Mas turbilha quente e desaforado dentro do peito.
Desagradável sensação que impulsiona o corpo,
Tensionando os músculos e fortificando a casca
Vontade do vento batendo na pele, frio
Desejo de movimento e olhar no horizonte
Remédios pras minhas horas, pro meu apego
Da mente para o estômago, onde serpenteia.
Depois de contorcer a boca da barriga,
Pulveriza-se em partículas e ondas de calor
Que sobem ao local de origem, no cerne da cabeça.
E aí vejo nítida a confusão de meu ser
Que ao ansiar a imaterialidade e a sutileza
É apanhado denso e condensado
Por sensações ancoradas em passados remotos.
Fica aí o paradoxo e a prisão do espírito
Que se quer etéreo e pacífico
Mas turbilha quente e desaforado dentro do peito.
Desagradável sensação que impulsiona o corpo,
Tensionando os músculos e fortificando a casca
Vontade do vento batendo na pele, frio
Desejo de movimento e olhar no horizonte
Remédios pras minhas horas, pro meu apego
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Joguete do destino
Por um segundo queria saber me contentar com verdades cegas
Aderir a elas na inconsciência de tal forma que elas virassem a minha própria consciência
Decidir a decisão alheia e fingir que é, de fato, muito minha
Aliviar minha cabeça no travesseiro como quem já engoliu o discurso, todo repleto de evidências explícitas e gritantemente parciais
Rasgar do meu coração um pedaço, só aquele que me dá problemas
E preencher esse buraco com a aprovação daqueles a quem muito considero
Essas escolhas tão óbvias sob o olhar alheio, esse desejo estrito de manipular
Não, não estou imune as influências, mas todo esse arsenal de estratégias me permeia, atormenta e depois me abandona
Não tenho sempre razão, mas sou fiel à minha natureza
Sou partícula da força que tudo move, mas não tenho a pretensão de brincar de escolher e carimbar destinos
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