Eu não quero rezar minha sorte como quem se rende numa
homenagem ao azar,
Há uma essência que se entrega ao novo, como numa criança
que se gesta
Ainda que a pureza lhe tenha sido roubada, mesmo antes de
nascer
Quero pintar meu interior com cores e ares que não pude
experimentar
Há um amarelo no horizonte, cujo sabor ladeia meus lábios
Uma secura
que desafia a minha,
Há infindas
estrelas que me gritam num céu que pulso ver
Eu respiro
estradas... Nesses caminhos as justiças não são exatas
São buracos
invisíveis, que só se se sente ao se passar por eles
Tortuosas
imagens de percursos divididos, falsos oásis e alívios vividos
Há um deserto
onde a dor e a felicidade costumam se abraçar, sem arrogância
É quase como
se uma, bem conhecesse a outra, fossem íntimas num horizonte abissal
Como se o
trajeto fosse uma obra de arte viva, em eterna reconstrução
E todos
feridos de areia pudessem desfrutar desse instante impermanente.
Ah, eu uma vez ou tantas pensei me conhecer, mas entrego
mais uma parte alheia
Que deixa expor o meu amor e desdém, nada pessoal,
Costumo encher a boca dos outros como faço com a minha
Com tudo eu que posso dar e com o resto de que não posso me
abster.