sábado, 9 de fevereiro de 2019

Registros da minha análise

Não é difícil fazer ou ser invadido pelo luto,
Não é difícil se projetar na atenção que se queria ter,
Não é difícil dar motivos para a realidade nos frustrar.

É difícil encontrar um lugarzinho pra sentar, no vazio.
É difícil processar a matéria prima com delicadeza.
É difícil não decompor suas partes, num processo digestivo.
É difícil reanimar encontros e situações sem vida.

O tempo passa ventando a possibilidade de me sacudir.
Você abraça - sem querer ou saber -, me liberta.
Mal projeta, como eu, vendado, que deixa escapar a voz
Que desata nós e nos desperta.


Cansei faz tempo de um  monte de coisa.
Nem sei se já tive paciência, segui direcionada, só.
Re - elaborando o sentimento e as palavras, ia dizer que "só" era sozinha - como se fosse adjetivo de apenas - e me dei por mim que era só,
Porque era a única relação ou situação que eu me limitava a viver.

Só, poderia significar a vontade da minha alma ou mente querer dizer:  apenas, unicamente,
Mas a memória esbarrou no sentimento e eu me dei a lembrar que era no sentido de sozinha
Tive a imaginação de que tudo podia ser construído
Espontaneamente, na beira dum caminho.... que nem existisse, mas que estava e continuaria por um tempo sendo criado.

Quando tudo vai embora,
Quando o som, o assunto, a vivência, a consideração escorrem
Que nem mãos com tantos dedos de apego conseguem agarrar,
Deixo-os ir, amando e vivenciando suas limitações.
Chore, não como projeto, mas por falta de opção.
Chore.

Desalmada


Você mira e me olha, mas não me vê.
És uma cobra cega, branca pálida e amarelada,
A serpentear feito larva,
Se alimentando de carne alheia substrato de quem se julga ser.

Você não é viva, mas humanamente vil.
É corrosiva à rotina, arrebatadora de lares,
Cianureto travestido de sociabilidade,
A mentira materializada na voz e no breu.

És uma bomba relógio pronta e armada,
No tic tac em que seduzes os segundos,
Tomando conta de tempos e subjetividades,
Histórias, amores, rebeldias e lares que não são teus.

Por seres assim tão falsa,
Em épocas em que o parecer supera o ser,
Entras no jogo camuflada, como peça que faltasse,
Sequestra energia vital e se disfarça
Faz da fé um templo ateu.

Ah! Eu não te desafio.
Tua fortaleza é navalha que pica a carne e rói a alma,
Reunindo erros derivados de fragilidades e ambições de atos viciados,
Destruindo potencialidades da vontade de se ser ético e moral.

Minha palavra solta e a rima desarticulada,
Minha esperança estranha e tão pouco sustentada,
Não desafiam seu poder, nem sustentam justiça
Mas imploram redenção.

Quando nela, tanto faz frente a quem nos pomos de joelhos, não é?
Re-den-ção – pare, leia, procure e pesquise.
Eu não vou, e digo:  -Nos seus joelhos! E o resto tanto faz.
Mas ponha-se assim, no chão.

É só nele que as lágrimas secas ou exageradas encontram a terra e imploram perdão,
É só na dor alheia que se encontra espelho e reflexo para compreensão,
É se propondo a pensar e sentir como outro,
que a humanidade vivencia o milagre da compaixão.
Dói.

Autodestrutiva e imoral:
Meu nome não é tua casa,
Minha vida é paralela a tua morada.
Se em atalhos fomos apresentadas,
Minha cabeça e minhas mãos sacodem,
O adeus é assim.