sábado, 28 de abril de 2018

Meu desassossego


Hoje o meu desassossego é meu
Porque já não escancaro meus dentes pra colher miséria
Porque vi nos meus inúmeros sins, formas de me negar
Porque me identifico, mas não sou

O equilíbrio cobrou e eu me dei a responder
Dei adeus aos deuses na tentativa de me reintegrar
Abracei o medo até ele transmutar
Ri das minhas loucuras até me ater a mim

Parei!
Quis provar na carne o delírio da compaixão
Até ver esfacelados pelo chão
Tantos pedaços de mim, eu sei

Hoje, o meu desassossego é meu,
Minhas dores indizíveis, as plantas do jardim que não pude regar
Os segundos, minutos, horas, eu
Tempo de passos largos que corre, ventando, cobrando o peso do ar.

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