segunda-feira, 28 de maio de 2018

Aos caminhoneiros de 2018

Eu sei quem vai na frente,
ainda que na minha tola ignorância, desconheça quem está por trás
Sei que os caminhoneiros do Brasil, com determinação
Estão fazendo o que a maioria dos brasileiros não faz

Imagina o disparate da expressão
Da minha, tua inércia, frente ao acaso realista
Reclamar como de costume, num desejo implícito de falsa ordem
Statos quo, mera vontade de manutenção

Despertai-vos e uni-vos,
Porque o universo é diverso, mas ainda é um
Há que se levantar com alma, desse sono profundo,
Resgatar a vida, chacoalhar com energia
Tantos corpos moribundos

Vamos driblar as manobras,
Quebrar mil vezes o dualismo
Onde só existe a cruz e crucificado
O branco, o preto, falta de nuances
O olhar perdido que só busca o certo e o errado

O que se põe a prova não é julgamento, nem abstenção
Nem no puritanismo mais profundo,
O que se mostra imprescindível, em meio ao caos desses tempos,
Ainda não fere seu individualismo, só cobra consciência
 Mas, veja,  é só uma moeda lógica,
Ainda nem é compaixão.

sábado, 5 de maio de 2018

Súplica



Eu preciso (como já precisei) da tua presença física
O que não se explica ficou, como sentido ao broto inexplicável
A falta de palavras, ao transcendental
Preciso da força que avistei, movendo montanhas materiais
Irrigando a veia do essencial

Não importa tanto vaidade
Querer reconhecimento distante do que não se tem
Eu digo e não tenho pressa,
Mas me desespero na demora de teus passos

Eu preciso tardiamente, te ver afoito com teus planos
A tua atenção concentrada no fruto e no futuro
Ver tua terra prover nutrientes e substrato
Na profundeza do teu solo, que amparo dê ao raso

Não permita que tua memória te traia,
Que torne o supérfluo uma memória do agradável
Que misture cores numa meta dispersa e colorida
Num oceano azul e sem rumo, que só caminhe na rua do viável

Tudo, tudo, tudo é exemplo vida
Teus valores estarão expostos, dispostos
Colocados pelos teus gostos, tuas rimas
Seus esforços relativos, serão lembrados e filtrados
Nas providências da atenção,
Consciente de que a memória é uma cina.



sexta-feira, 4 de maio de 2018

a você

A você que não pode quebrar as pedras
Pra ver as pontes construídas,
Que não pode sentir a regressão do ritmo dos passos
Na beira da subida

A você que nunca sentiu o pesar da incerteza
Em tantos caminhos áridos e fugidios
Que não se arrebentou em preces
Pra satisfazer seus alívios

Você que arruma as malas nas portas do repetitivo
E diz sonhar planos, paisagens
Despertando em vôos altos
Miragens do mesmo desatino

A você dedico meus minutos vagos
O que restou, o que não quero ser
A você, indivíduo ser humano raro
Dedico a possibilidade de me desfazer