sábado, 9 de fevereiro de 2019

Desalmada


Você mira e me olha, mas não me vê.
És uma cobra cega, branca pálida e amarelada,
A serpentear feito larva,
Se alimentando de carne alheia substrato de quem se julga ser.

Você não é viva, mas humanamente vil.
É corrosiva à rotina, arrebatadora de lares,
Cianureto travestido de sociabilidade,
A mentira materializada na voz e no breu.

És uma bomba relógio pronta e armada,
No tic tac em que seduzes os segundos,
Tomando conta de tempos e subjetividades,
Histórias, amores, rebeldias e lares que não são teus.

Por seres assim tão falsa,
Em épocas em que o parecer supera o ser,
Entras no jogo camuflada, como peça que faltasse,
Sequestra energia vital e se disfarça
Faz da fé um templo ateu.

Ah! Eu não te desafio.
Tua fortaleza é navalha que pica a carne e rói a alma,
Reunindo erros derivados de fragilidades e ambições de atos viciados,
Destruindo potencialidades da vontade de se ser ético e moral.

Minha palavra solta e a rima desarticulada,
Minha esperança estranha e tão pouco sustentada,
Não desafiam seu poder, nem sustentam justiça
Mas imploram redenção.

Quando nela, tanto faz frente a quem nos pomos de joelhos, não é?
Re-den-ção – pare, leia, procure e pesquise.
Eu não vou, e digo:  -Nos seus joelhos! E o resto tanto faz.
Mas ponha-se assim, no chão.

É só nele que as lágrimas secas ou exageradas encontram a terra e imploram perdão,
É só na dor alheia que se encontra espelho e reflexo para compreensão,
É se propondo a pensar e sentir como outro,
que a humanidade vivencia o milagre da compaixão.
Dói.

Autodestrutiva e imoral:
Meu nome não é tua casa,
Minha vida é paralela a tua morada.
Se em atalhos fomos apresentadas,
Minha cabeça e minhas mãos sacodem,
O adeus é assim.



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