domingo, 11 de agosto de 2013

Os piratas e eu

É desde da pequenice que me ocorrem piratas
Que navegam meu imaginário com liberdade
Os ventos salgados que os carregam
São também os ventos que sacodem minhas velas

Enquanto a história queria me construir medo
Construía uma estória de vontade de mares
Eu queria ir com eles e de fato já ia

Foi com os piratas que aprendi:
Certo é um lugar de onde se avista a terra
Paixão é vontade de infinito
Invadir é uma estratégia válida

Brilho nos olhos mareados
Eu que não condeno quase me reconheço
Sem disfarçar o disparate

Fere o mar, fere o vento
A vida é ardida de sal
Piratas vem e vão
Eu vou com eles






segunda-feira, 22 de julho de 2013

Temporal de ontem


Vento furioso molhado
Eis que sem mais nem menos surge revolto
Ninguém vê acumular sua força
Não se suspeita que se indigna

Poucos entendem a violência do ar
Outros se fingem desentendidos
Arrebatador, etéreo, contundente
Tragada forte, engasgo d´água

domingo, 21 de julho de 2013

Apego

Minha materialidade surge exacerbada
Da mente para o estômago, onde serpenteia.

Depois de contorcer a boca da barriga,
Pulveriza-se em partículas e ondas de calor
Que sobem ao local de origem, no cerne da cabeça.

E aí vejo nítida a confusão de meu ser
Que ao ansiar a imaterialidade e a sutileza
É apanhado denso e condensado
Por sensações ancoradas em passados remotos.

Fica aí o paradoxo e a prisão do espírito
Que se quer etéreo e pacífico
Mas turbilha quente e desaforado dentro do peito.

Desagradável sensação que impulsiona o corpo,
Tensionando os músculos e fortificando a casca

Vontade do vento batendo na pele, frio
Desejo de movimento e olhar no horizonte
Remédios pras minhas horas, pro meu apego

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Joguete do destino



Por um segundo queria saber me contentar com verdades cegas
Aderir a elas na inconsciência de tal forma que elas virassem a minha própria consciência
Decidir a decisão alheia e fingir que é, de fato, muito minha
Aliviar minha cabeça no travesseiro como quem já engoliu o discurso, todo repleto de evidências explícitas e gritantemente parciais
Rasgar do meu coração um pedaço, só aquele que me dá problemas
E preencher esse buraco com a aprovação daqueles a quem muito considero
Essas escolhas tão óbvias sob o olhar alheio, esse desejo estrito de manipular
Não, não estou imune as influências, mas todo esse arsenal de estratégias me permeia, atormenta e depois me abandona
Não tenho sempre razão, mas sou fiel à minha natureza
Sou partícula da força que tudo move, mas não tenho a pretensão de brincar de escolher e carimbar destinos

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

expressão

A soberba é a rainha das ignorâncias.
Travestida e desenganada,
Abandona e se ensurdece em meio à multidão.
Fica o ruído desagradado,
Ao seu ouvido muito seletivo,
Que não premedita a queda e não amortece o tombo,
mas que se reconforta na casa do orgulho,
enquanto esmorece o que resta do amor.

Algo se debruça sobre a minha uma tristeza e é um um silêncio lúcido
De consciência inconsciente repensada,
Desejando um ser que já não fosse,
No fosso, na falta, a ausência.

 Meu pensamento é todo palavras e presente.
Uma resposta à minha falta.
Um mote, um brinde aos transmutados,
Aos transtornados e mal-educados,
Pelo justo descontentamento daqueles cuja palavra já não significa,
Já pouco importa.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Segunda dimensão

Despertei num sobressalto para essa realidade!
Estava distante, muito longe...
Dentro de um lugar na mente chamado inconsciente
Neste outro mundo que - pasmem - me é, por vezes, tão ou mais concreto do que a vida que se materializa lúcida, vivo muito intensamente.
E hoje, não viajava como de costume, não observava a multidão e nem mesmo a paisagem
Via pessoas do passado, que me testavam com perguntas indecorosas
Nesse desconforto, apegava-me a um pequeno filhote de cachorro que carregava como a uma parte de mim que muito estimasse sem saber
O meu amor por ele era todo e por que não dizer tudo
Meu orgulho, sempre tão presente, se dissolvia nesse sentimento inteiro
E o cão que se comunicava sem palavras me dizia que não podia ser sem mim
As pessoas e as palavras-alfinetes que diziam tinham o efeito de amplificar meu sentimento de completude junto ao canídeo,
Definitivamente ele era uma parte do eu.
Quando já desperta para essa outra realidade concreta, me fazia muita falta aquele pequeno amarelo
Já tinha voltado a ser metade ou só parte
Sou tão apegada a essas dimensões para as quais acordo enquanto durmo

sábado, 9 de julho de 2011

Hoje

Não me lamento
Vivo intensamente
Como se me abandonasse
Corpo liberto à gravidade
Estacionado no momento