quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A cura

Quem não há de procurar remédio para os seus males
Ainda que no frasco do veneno, desfrute a paz de poucas horas
E nas madrugadas ou manhãs, vague como cão sem dono, de estômago vazio?

Não conheço quem não os tenha:
Remédios para as horas...
Não conheço quem não confunda o seu efeito e a cura

A paz é mesmo um dragão arredio que procuramos domar
Deixá-lo solto, é tê-lo distante
Conquistá-lo é quase sempre efêmero

A mente, mesmo após o choque, inventa meios de se repetir
Os vícios são todos paralelos
Justificam sempre, modos de se diferenciar

Os que se acham curados são, de fato, os mais remediados
Os que se justificam repetem verdades que não enchem barriga
Adictos assumidos não usam a verdade nem como cura, nem como vício

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